(in)delicadeza de amar.

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domingo, 31 de março de 2013

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A vida é agora, aprende. Ainda outra vez tocarão teus seios, lamberão teus pelos, provarão teus gostos. E outra mais, outra vez ainda. Até esqueceres faces, nomes, cheiros. Serão tantos. O pó se acumula todos os dias sobre as emoções.

Caio F. Abreu

Alguém entra na sua vida, rouba seu tempo, destrói sua confiança, agride sua auto-estima, estilhaça o pouco que resta da sua esperança no amor. E sai ileso. Não adianta desperdiçar sofrimento por quem não merece. É como escrever poemas em papel higiênico e limpar o cu com os sentimentos mais nobres.


 Cazuza

sábado, 30 de março de 2013

Let it be...


Sabe, para mim a vida é um punhado de lantejoulas e purpurina que o vento sopra. Daqui a pouco muita coisa que ontem parecia importante ou significativa virará pó no filtro da memória,vai ser passado mesmo - deixa o vento soprar, let it be, fique pelo menos com o gostinho de ter brilhado um pouco... 

Caio F. Abreu

Esquecer é uma necessidade. A vida é uma lousa, em que o destino, para escrever um novo caso, precisa de apagar o caso escrito. 

Machado de Assis

Sigo à risca. Me descuido e vou… 
Quebro a cara. 
Quebro o coração. 
Tropeço em mim.  
Me atolo nos cinco sentidos. 


Guimarães Rosa


Nunca, jamais diga o que sente. Por mais que doa, por mais que te faça feliz. Quando sentir algo muito forte, peça um drink.

Caio F. Abreu

sexta-feira, 29 de março de 2013

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Lembro que naquela manhã abri os olhos de repente para um teto claro e minha mão tocou um espaço vazio a meu lado sobre a cama, e não encontrando procurou um cigarro no maço sobre a mesa e virou o despertador de frente para a parede e depois buscou um fósforo e uma chama e fumei fumei fumei: os olhos fixos naquele teto claro. Chovia e os jornais alardeavam enchentes. Os carros eram carregados pelas águas, os ônibus caíam das pontes e nas praias o mar explodia alto respingando pessoas amedrontadas. A minha mão direita conduzia espaçadamente um cigarro até minha boca: minha boca sugava uma fumaça áspera para dentro dos pulmões escurecidos: meus pulmões escurecidos lançavam pela boca e pelas narinas um fio de fumaça em direção ao teto claro onde meus olhos permaneciam fixos. E minha mão esquerda tocava uma ausência sobre a cama.

Caio Fernando Abreu

quinta-feira, 28 de março de 2013

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Se tu vens às quatro da tarde, desde às três eu começarei a ser feliz. 

Antoine de Saint-Exupèry
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Eu preciso muito muito de você eu quero muito muito você aqui de vez em quando nem que seja muito de vez em quando você nem precisa trazer maçãs nem perguntar se estou melhor você não precisa trazer nada só você mesmo você nem precisa dizer alguma coisa no telefone basta ligar e eu fico ouvindo o seu silêncio juro como não peço mais que o seu silêncio do outro lado da linha ou do outro lado da porta ou do outro lado do muro.Mas eu preciso muito muito de você.


Caio Fernando Abreu

quarta-feira, 27 de março de 2013

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Para ele ser perfeito só falta levar pro conserto a sua bola de cristal.

Jade Stephani
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Tenham um pouco de paciência comigo vai, é só uma fase em que estou exigente e acho tudo um porre. Um grandessíssimo porre. 


 Tati Bernardi

Já que não tenho coragem de assumir a minha loucura, queria que ao menos algum canto do mundo me acolhesse. E me abraçasse e dissesse que tudo bem, tudo bem de vez em quando eu perder assim a razão ou o equilíbrio. Eu queria que existisse um canto do mundo que nunca me dissesse “ei, você se expõe demais” e que me deixasse ser assim e apenas me deixasse ficar quietinha e quente quando o mundo resolvesse me magoar porque sou briguenta, mas sou mais sensível que maria-mole em frigideira. Eu queria ir para um planeta onde não existisse tempo de beijar e tempo de pirar. E eu pudesse ir agora ao seu mundo e te beijar até enjoar de você. E eu pudesse, de repente, gritar bem alto porque me irritam esses milhares de sons tecnológicos que você faz. Para mostrar que meio mundo te procura enquanto eu não posso te procurar porque a cartilha da vovó que casou dizia que a mulher nunca pode procurar o homem se não quiser ser usada por ele. Eu queria mandar pra puta-que-pariu a cartilha da vovó. E queria tirar essa voz do meu pai da minha cabeça, dizendo “minha filha, homem não gosta dessas coisas". Eu sei que sou exatamente o que 98% dos homens não gostam ou não sabem gostar. Eu falo o que penso, abro as portas da minha casa, da minha vida, da minha alma. Basta eu ver o sinal de luz recíproca no final do túnel que eu mando minhas zilhões de luzes e cego todo mundo. Sou demais, tanto que ninguém aguenta. Ninguém entende nada. E eles adoram uma sonsa. Adoram. Mas dane-se. Um dia, um louco, direto do planeta dos 2% de homens, aparece. E que se dane a natureza gritando no meu ouvido que não posso ser assim. Que boa fêmea sabe esperar nove meses, portanto deve saber esperar uma ligação ou um sinal de "pode avançar no joguinho". Eu não sei esperar nada. E a natureza gritando no meu ouvido então, já que sou birrenta, vou ficar sem nada mesmo. Porque é preciso saber viver. Atiram a gente nesse mundo, nosso coração sente um monte de coisa desordenada, nosso cérebro pensa um monte de absurdo. E a gente ainda precisa ser superequilibrada para ganhar alguma coisa da vida. Como se só por estar aqui, aturando tanta maluquice, a gente já não devesse ganhar aí um desconto para também ser louco de vez em quando. Quem é essa natureza maluca, quem é esse mundo maluco? Quem são esses doidos que exigem tanta certeza e tanta “finesse” e tanta postura da gente? E eu queria te beijar até enjoar. Porque eu só sei curar uma vontade de me entorpecer de alguém quando sugo a pessoa até a última gota. O problema é que nesse mundo sem graça com celulares que apitam, mensagens no MSN que apitam e policiais mentais que apitam "ei, segura a onda, não deixe ele perceber que pode comandar até a última seu coração", ninguém mais sabe nem sugar e nem ser sugado até a última gota. Fica uma droga de um joguinho superficial de trocas superficiais. E ai de quem resolva sair disso. Vai ser tachado de louco de pedra. Maluco. E as meninas sonsas se dando bem, e eu dormindo abraçada com o travesseiro. Já que não tenho coragem de assumir a minha loucura queria que ao menos algum canto do mundo me acolhesse. E me abraçasse e dissesse que tudo bem, tudo bem de vez em quando eu perder assim a razão ou o equilíbrio. E repetir, repetir e repetir o erro. E jurar que da próxima vez eu serei normal. E jurar que da próxima vez eu obedecerei á natureza, ao meu pai, à cartilha da vovó ou às meninas sonsas. E virar a rainha dos 98% dos homens que não sabem o que fazer com uma pessoa que nem eu. E depois chutar todos eles porque no fundo to pouco me fudendo pra essa maioria de idiotas. Pode até ser meio solitário nadar contra a maré, mas como é gostoso olhar a multidão do outro lado e enxergar todo mundo pequeninho.

Tati Bernardi