(in)delicadeza de amar.

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domingo, 20 de fevereiro de 2011

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 a infância que recordo, a dor de não ter dado certo, de não ter falado na hora, eu sou aquilo que foi amputado no passado, a emoção de um trecho de livro, a cena de rua que me arrancou lágrimas, eu sou o que eu choro. Eu sou o abraço inesperado, a força dada para o amigo que precisa, eu sou o pelo do braço que eriça, a sensibilidade que grita, o carinho que permuta, eu sou as palavras ditas para ajudar, os gritos destrancados da garganta, os pedaços que junto, eu sou o orgasmo, a gargalhada, o beijo, eu sou o que desnudo. Eu sou a raiva de não ter alcançado, a impotência de não conseguir mudar, eu sou o desprezo pelo o que os outros mentem, o desapontamento com o governo, o ódio que tudo isso dá, eu sou aquela que rema, que cansada não desiste, eu sou a indignação com o lixo jogado do carro, a ardência da revolta, eu sou o que eu queimo. Eu sou aquilo que reinvidica, o que consigo gerar através da minha verdade e da minha luta, eu sou os direitos que tenho, os deveres que me obriga, eu sou a estrada por onde corro atrás, serpenteio, atalho, busco, eu sou o que eu pleiteio. Eu não sou só o que como e o que visto. Eu sou o que eu recruto, rabisco e leio. Eu sou o que ninguém vê.



Martha Medeiros