(in)delicadeza de amar.

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sábado, 8 de outubro de 2011

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Fui vivendo minha vida de maneira tão solitária (...) tão sempre sem nada, que aprendi a ter uma enorme admiração por mim mesmo.


Caio Fernando Abreu

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

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Nem que me corte, nem que eu sofra, nem que eu lute contra mim todos os dias.
 As coisas vão mudar!


Caio Fernando Abreu
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Pois hoje emergi calçando salto 15, ombros muito para trás, porte ereto e saia justíssima. Nariz arrebitado. Pisando duro. Pensam que vão acabar comigo? Nunca!

Além do ponto.


Chovia, chovia, chovia e eu ia indo por dentro da chuva ao encontro dele, sem guarda-chuva nem nada, eu sempre perdia todos pelos bares, só levava uma garrafa de conhaque barato apertada contra o peito, parece falso dito desse jeito, mas bem assim eu ia pelo meio da chuva, uma garrafa de conhaque na mão e um maço de cigarros molhados no bolso. Teve uma hora que eu podia ter tomado um táxi, mas não era muito longe, e se eu tomasse um táxi não poderia comprar cigarros nem conhaque, e eu pensei com força então que seria melhor chegar molhado da chuva, porque aí beberíamos o conhaque, fazia frio, nem tanto frio, mais umidade entrando pelo pano das roupas, pela sola fina esburacada dos sapatos, e fumaríamos beberíamos sem medidas, haveria música, sempre aquelas vozes roucas, aquele sax gemido e o olho dele posto em cima de mim, ducha morna distendendo meus músculos. Mas chovia ainda, meus olhos ardiam de frio, o nariz começava a escorrer, eu limpava com as costas das mãos e o líquido do nariz endurecia logo sobre os pelos, eu enfiava as mãos avermelhadas no fundo dos bolsos e ia indo, eu ia indo e pulando as poças d'água com as pernas geladas. Tão geladas as pernas e os braços e a cara que pensei em abrir a garrafa para beber um gole, mas não queria chegar na casa dele meio bêbado, hálito fedendo, não queria que ele pensasse que eu andava bebendo, e eu andava, todo dia um bom pretexto, e fui pensando também que ele ia pensar que eu andava sem dinheiro, chegando a pé naquela chuva toda, e eu andava, estômago dolorido de fome, e eu não queria que ele pensasse que eu andava insone, e eu andava, roxas olheiras, teria que ter cuidado com o lábio inferior ao sorrir, se sorrisse, e quase certamente sim, quando o encontrasse, para que não visse o dente quebrado e pensasse que eu andava relaxando, sem ir ao dentista, e eu andava, e tudo que eu andava fazendo e sendo eu não queria que ele visse nem soubesse, mas depois de pensar isso me deu um desgosto porque fui percebendo percebendo, por dentro da chuva, que talvez eu não quisesse que ele soubesse que eu era eu, e eu era. Começou a acontecer uma coisa confusa na minha cabeça, essa história de não querer que ele soubesse que eu era eu, encharcado naquela chuva toda que caía, caía, caía e tive vontade de voltar para algum lugar seco e quente, se houvesse, e não lembrava de nenhum, ou parar para sempre ali mesmo naquela esquina cinzenta que eu tentava atravessar sem conseguir, os carros me jogando água e lama ao passar, mas eu não podia, ou podia mas não devia, ou podia mas não queria ou não sabia mais como se parava ou voltava atrás, eu tinha que continuar indo ao encontro dele, ou podia mas não queria ou não sabia mais como se parava ou voltava atrás, eu tinha que continuar indo ao encontro dele, que me abriria a porta, o sax gemido ao fundo e quem sabe uma lareira, pinhões, vinho quente com cravo e canela, essas coisas do inverno, e mais ainda, eu precisava deter a vontade de voltar atrás ou ficar parado, pois tem um ponto, eu descobria, em que você perde o comando das próprias pernas, não é bem assim, descoberta tortuosa que o frio e a chuva não me deixavam mastigar direito, eu apenas começava a saber que tem um ponto, e eu dividido querendo ver o depois do ponto e também aquele agradável dele me esperando quente e pronto.
Um carro passou mais perto e me molhou inteiro, sairia um rio das minhas roupas se conseguisse torcê-las, então decidi na minha cabeça que depois de abrir a porta ele diria qualquer coisa tipo mas como você está molhado, sem nenhum espanto, porque ele me esperava, ele me chamava, eu só ia indo porque ele me chamava, eu me atrevia, eu ia além daquele ponto de estar parado, agora pelo caminho de árvores sem folhas e a rua interrompida que eu revia daquele jeito estranho de já ter estado lá sem nunca ter, hesitava mas ia indo, no meio da cidade como um invisível fio saindo da cabeça dele até a minha, quem me via assim molhado não via nosso segredo, via apenas um sujeito molhado sem capa nem guarda-chuva, só uma garrafa de conhaque barato apertada contra o peito. Era a mim que ele chamava, pelo meio da cidade, puxando o fio desde a minha cabeça até a dele, por dentro da chuva, era para mim que ele abriria sua porta, chegando muito perto agora, tão perto que uma quentura me subia para o rosto, como se tivesse bebido o conhaque todo, trocaria minha roupa molhada por outra mais seca e tomaria lentamente minhas mãos entre as suas, acariciando-as devagar para aquecê-las, espantando o roxo da pele fria, começava a escurecer, era cedo ainda, mas ia escurecendo cedo, mais cedo que de costume, e nem era inverno, ele arrumaria uma cama larga com muitos cobertores, e foi então que escorreguei e caí e tudo tão de repente, para proteger a garrafa apertei-a mais contra o peito e ela bateu numa pedra, e além da água da chuva e da lama dos carros a minha roupa agora também estava encharcada de conhaque, como um bêbado, fedendo, não beberíamos então, tentei sorrir, com cuidado, o lábio inferior quase imóvel, escondendo o caco do dente, e pensei na lama que ele limparia terno, porque era a mim que ele chamava, porque era a mim que ele escolhia, porque era para mim e só para mim que ele abriria a sua porta.
Chovia sempre e eu custei para conseguir me levantar daquela poça de lama, chegava num ponto, eu voltava ao ponto, em que era necessário um esforço muito grande, era preciso um esforço muito grande, era preciso um esforço tão terrível que precisei sorri mais sozinho e inventar mais um pouco, aquecendo meu segredo, e dei alguns passos, mas como se faz? me perguntei, como se faz isso de colocar um pé após o outro, equilibrando a cabeça sobre os ombros, mantendo ereta a coluna vertebral, desaprendia, não era quase nada, eu mantido apenas por aquele fio invisível ligado à minha cabeça, agora tão próximo que se quisesse eu poderia imaginar alguma coisa como um zumbido eletrônico saindo da cabeça dele até chegar na minha, mas como se faz? eu reaprendia e inventava sempre, sempre em direção a ele, para chegar inteiro, os pedaços de mim todos misturados que ele disporia sem pressa, como quem brinca com um quebra-cabeça para formar que castelo, que bosque, que verme ou deus, eu não sabia, mas ia indo pela chuva porque esse era meu único sentido, meu único destino: bater naquela porta escura onde eu batia agora. E bati, e bati outra vez, e tornei a bater, e continuei batendo sem me importar que as pessoas na rua parassem para olhar, eu quis chamá-lo, mas tinha esquecido seu nome, se é que alguma vez o soube, se é que ele o teve um dia, talvez eu tivesse febre, tudo ficara muito confuso, idéias misturadas, tremores, água de chuva e lama e conhaque batendo e continuava chovendo sem parar, mas eu não ia mais indo por dentro da chuva, pelo meio da cidade, eu só estava parado naquela porta fazia muito tempo, depois do ponto, tão escuro agora que eu não conseguiria nunca mais encontrar o caminho de volta, nem tentar outra coisa, outra ação, outro gesto além de continuar batendo, batendo, batendo, batendo, batendo, batendo, batendo, batendo, batendo, batendo, batendo, batendo, batendo, na mesma porta que não abre nunca.

Caio Fernando Abreu
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Eu não sou linear. Eu não sou uma pessoa terminada, eu não quero rótulos nem roteiros prontos, não existe começo nem fim em mim. Eu existo. Não sou produto, sou só coração. Vivo em um meio que me parece eterno. Um meio que me faz escrever, ser e mudar a cada dia. Se eu eu começasse a escrever minha vida, seria assim: ... Percebe? Eu sei que sim. Eu sou reticências. Sou 3 pontinhos. Sou o não-dito. Sou emoção e desejo. Palavras são o meu antídoto. Anti-monotonia, anti mau-humor, anti todo o amor que não há.


Fernanda Mello
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Inteligente mesmo é essa coisa de viver, porque um belo dia se aprende. Aprende que não adianta se importar, algumas pessoas não vão te amar. Talvez, você chore por isso, mas a vida vai mostrar que ela sabe passar. Aprende que todo mundo vai embora, mais cedo ou mais tarde. Aprende que algumas coisas precisam acontecer para que se fique mais forte. Você compreende que força não é o quanto você consegue derrubar e sim até que ponto se é capaz de resistir. Entende que sempre há duas opções: a certa e a errada, a primeira em sua maioria, dói no início e alivia no final. A segunda inverte a lógica das coisas, sacia a vontade e acalma na hora do desejo, mas a tormenta vem logo pela manhã. Mas, o tempo ensina a dizer não para as coisas efêmeras e escolher o caminho onde a paz é a recompensa não mais se torna um sacrifício. Conseguimos assumir de uma vez por todas o controle sobre o coração, e isso não significa a autonomia de escolher por quem vamos nos apaixonar, mas podemos sim decidir por quem vamos sofrer. Hoje em dia é assim, deixo doer, no máximo três dias e depois acabou a festa, coração, hora de se levantar e encarar a rotina. Dá até para determinar quem fica e quem sai, é só analisar o que é bom pra gente, e coragem descobrimos lá no fundo. Nem tudo que a gente quer, que a gente insiste é sadio para a nossa vida, às vezes o hábito nos trai e necessidade mesmo é só o amor. Se você não conseguir se apaixonar por ninguém, então apaixone-se por você, é melhor ainda. Quando a vida for tão simples quanto parece, você vai entender o quão inteligente é essa coisa toda de aprender.



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É tão estranho, mas eu me sinto tanto na obrigação de cuidar de você, de te proteger de tudo e de todos. Me sinto na obrigação de arriscar o que for pra poder ter a sua segurança. Me sinto sempre no direito de estar do teu lado, te apoiando no que precisar, te aconselhando, e te mostrando o rumo certo a seguir. Me necessito de estar do seu lado sempre e pegar todas as tuas lágrimas pra mim, para que você nunca precise de chorar. Eu só quero o seu bem, eu só quero que fique sempre bem. Por que é você estando bem, que eu também estou.
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Assim, tentar esquecer é lembrar. E lembrar você dá raiva. Você é dono do meu melhor rancor.


Gabito Nunes



Meu mal é gostar de pessoas que não entendem nada de amor. ♪ Cazuza


Multaveis.

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A auto definição, é um grande problema! Somos inconstantes a todo tempo... Ora fortes, seguros, decididos; ora mergulhados em dúvidas, incertezas... Ora necessitamos de pessoas ao nosso redor; ora auto suficientes para resolução de nossos problemas... Cheios de temores, cheios de esperanças. Cheios de fraquezas, cheios de vanglórias! Preto/branco.. pequeno/grande.. dia/noite!  "Antitéticos", "paradoxais" a todo momento... Às vezes maduros, às vezes inconsequentes. Totalmente preocupados, totalmente desinteressados... Sábios e absolutamente ignorantes, diante do desconhecido [redundâncias!] ... Somos todos assim..  uma  grande caixinha  de surpresas...


 Cali