(in)delicadeza de amar.

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quinta-feira, 2 de junho de 2011



Às vezes odeio pensar demais. Eu mesma consigo me deixar paranóica sozinha.

Às vezes odeio pensar demais. Eu mesma consigo me deixar paranoica sozinha.






O problema é que eu não sei se é melhor falar de uma vez que eu estou completamente apaixonada por você, ou tentar esquecer.

Quando dei por mim já tinha me tornado uma pessoa fria e sem sentimento algum. Por mais que tudo em minha volta se mostrasse feliz, meu rancor era maior que qualquer coisa. Fiquei implicante, chata, mal-humorada e sem educação. Sem entender esses risos descontrolados, e inúteis. Essas frases de impacto que nunca salvarão o mundo, essas pessoas que falam de amor como se fosse algo fácil e simples, pessoas que amam pessoas sem nunca terem se visto pessoalmente; amizades falsas e simplesmente por interesse. Enfim, quando dei por mim, fiquei mais critica e seletiva. Agora só desejo que o mundo me entenda; eu não escolhi ser assim, o mundo me tornou assim. Um dia quem sabe meu senso de ridículo vá embora, e eu volte a gostar do mundo como ele é.


sábado, 28 de maio de 2011



Aprendi a amar menos, o que foi uma pena.

Caio Fernando Abreu.


sexta-feira, 27 de maio de 2011

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Fico pensando se viver não será sinônimo de perguntar. A gente se debate, busca, segura o fato com duas mãos sedentas e pensa: “Achei! Achei!”, mas ele escorrega, se espatifa em mil pedaços, como um vaso de barro coberto apenas por uma leve camada de louça. A gente fica só, outra vez, e tem que começar do nada, correndo loucamente em busca dos outros vasos que vê. Cada um que surge parece o último. Mas todos são de barro, quebram-se antes que possamos reformular as perguntas. E começamos de novo, mais uma vez, dia após dia, ano após ano.
Caio Fernando Abreu

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Foi a última paixão. Paixão é o que dá sentido à vida. E foi a última. Tenho certeza absoluta disso. Agora me tornarei uma pessoa daquelas que se cuidam para não se envolver. Já tenho um passado, tenho tanta história. Meu coração está ardido de meias-solas. Sei um pouco das coisas? Acho que sim. Tive tanta taquicardia hoje. Estou por aí, agora. Penso nele, sim, penso nele. Mas não vou ceder.
Caio Fernando Abreu



Poema da gare de Astapovo.




O velho Leon Tolstoi fugiu de casa aos oitenta anos
E foi morrer na gare de Astapovo!
Com certeza sentou-se a um velho banco,
Um desses velhos bancos lustrosos pelo uso
Que existem em todas as estaçõezinhas pobres do mundo,
Contra uma parede nua...
Sentou-se... e sorriu amargamente
Pensando que
Em toda a sua vida
Apenas restava de seu a Glória,
Esse irrisório chocalho cheio de guizos e fitinhas
Coloridas
Nas mãos esclerosadas de um caduco!
E então a Morte,
Ao vê-lo sozinho àquela hora
Na estação deserta,
Julgou que ele estivesse ali à sua espera,
Quando apenas sentara para descansar um pouco!
A Morte chegou na sua antiga locomotiva
(Ela sempre chega pontualmente na hora incerta...)
Mas talvez não pensou em nada disso, o grande Velho,
E quem sabe se até não morreu feliz: ele fugiu...
Ele fugiu de casa...
Ele fugiu de casa aos oitenta anos de idade...
Não são todos os que realizam os velhos sonhos da infância!



Mario Quintana.

Data e dedicatória.

    Teus poemas, não os dates nunca...  Um poema 
    Não pertence ao Tempo... Em seu país estranho, 
    Se existe hora, é sempre a hora extrema 
    Quando o anjo Azarel nos estende ao sedento 
    Lábio o cálice inextinguível... 
    Um poema é de sempre, Poeta: 
    O que tu fazes hoje é o mesmo poema 
    Que fizeste em menino, 
    É o mesmo que, 
    Depois que tu te fores, 
    Alguém lerá baixinho e comovidamente, 
    A vivê-lo de novo... 
    A esse alguém, 
    Que talvez ainda nem tenha nascido, 
    Dedica, pois, os teus poemas. 
    Não os dates, porém: 
    As almas não entendem disso...
                                                                            
    Mário Quintana






um dia.eu vou deixar essa cidade.

um dia.
eu vou deixar essa cidade.